quarta-feira, janeiro 26, 2005

A debandada dos miasmas

A debandada dos miasmas

Tomo a pulso o direito a mim outrora negado. Meire Gomes

Levastes de mim apenas dias perdidos. Esses, esqueci-os em gavetas emperradas por ferrugem sedimentada. Coloquei-os em fornalhas de infernos consumidos. Não os quero nem por lembrança.
Refeita, respiro ares que não me trazem saudades. Sou nova em novas vestes. Sou outra.
Liberta por decisão minha e unânime de mim, sou acalanto suave sussurrado entre brumas fecundadas. Aspiro auroras a toda hora e as tenho comigo a todo instante. Estou eu. Em mim me fiz por condução da carne.
Entre o ser e o permanecer, busquei a distância e o amanhecer de mim. Fiz-me eu: aprendi que montanhas se desfazem ao vento.
Rezei por ti e pedi por mim. Lavei promessas em caldos santos.
Entre dedos fechados, fiz do meu pulso impulso: a liberdade nunca chega se não chamada.
Adentro rios inexplorados. Descubro horizontes onde a vista se perdeu. Ajo ao sabor de interiores meus: sou fado; sou tango a não mais soluçar travas de cotidianos perdidos: fiz-me eu.
O que outrora me foi negado, nem preciso como lembrança: as asas da memória pulam muros e me encontram em tempos repletos de rebeldia, quando o ser ousava serventias para si, ainda semente em busca de água.
Estou em mim, de volta. Dou voltas aceleradas aos passados que me fizeram morta e não os vejo: naufragaram na superfície ácida que o instante dissolveu.
A mim, hoje, tudo é possível. Visto-me artesã e moldo sandálias andarilhas. Jogo serpentinas ao mar e confetes ao reencontro comigo mesma. Fantasio futuros próximos e distantes; busco tintas amarelas para os dias saciados de azuis.
Sim: digiro fantasias.
Agora, como eu, não me acompanham planos de alforria: os miasmas em volta partiram em pânico.

Neuza Margarida Nunes
26 de Janeiro de 2005
Contemplando crustáceos à beira do mangue

2 Comments:

At 28 de janeiro de 2005 19:30, Blogger Bobbo said...

siri jogando bola


(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar

Fui passear
no país do tatu-bola
onde o bicho tem cachola
e até sabe falar,
eu vi um porco
passeando de cartola,
um macaco na escola
ensinando o bê-a-bá

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Eu vi um peba
de batina e de estola,
vi um bode de pistola
numa farda militar,
vi um mosquito
ser pegado pela gola
e ser preso na gaiola
por ser bebo e imorá.

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Eu vi um sapo
balançando uma sacola
num salão pedindo esmola
pro enterro dum preá;
vi uma porca
com dois brinco de argola
de batom, - mas que graçola! -,
dando beijos num gambá

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Numa oficina
vi um rato bater sola,
repicando na viola,
eu vi um tamanduá.
Vi um veado
com dois par de castanhola,
vestidinho de espanhola,
requebrando pra daná

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Vi um elefante
cozinhar na caçarola,
armoçar todo frajola
e a dentuça palitar,
vi um jumento
beber vinte Coca-Cola,
ficar cheio que nem bola
e dar um arroto de lascar.

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)


luiz gonzaga & zé dantas

 
At 28 de janeiro de 2005 19:37, Blogger Bobbo said...

siri jogando bola


(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar

Fui passear
no país do tatu-bola
onde o bicho tem cachola
e até sabe falar,
eu vi um porco
passeando de cartola,
um macaco na escola
ensinando o bê-a-bá

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Eu vi um peba
de batina e de estola,
vi um bode de pistola
numa farda militar,
vi um mosquito
ser pegado pela gola
e ser preso na gaiola
por ser bebo e imorá.

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Eu vi um sapo
balançando uma sacola
num salão pedindo esmola
pro enterro dum preá;
vi uma porca
com dois brinco de argola
de batom, - mas que graçola! -,
dando beijos num gambá

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Numa oficina
vi um rato bater sola,
repicando na viola,
eu vi um tamanduá.
Vi um veado
com dois par de castanhola,
vestidinho de espanhola,
requebrando pra daná

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)

Vi um elefante
cozinhar na caçarola,
armoçar todo frajola
e a dentuça palitar,
vi um jumento
beber vinte Coca-Cola,
ficar cheio que nem bola
e dar um arroto de lascar.

(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar
(Lá no mar)


luiz gonzaga & zé dantas

 

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