domingo, abril 10, 2005

Único adeus



“aguardo a carícia das palavras
que trocamos ao fim do dia”. Ângela Marques


Já faz tanto tempo. Nem sei se lembro. Sei que as palavras voltam e não mais me atormentam. Enlevam, apesar de últimas. E também não consigo esquecer aquele último olhar.
Você partia para sempre. Para não mais voltar. E sabíamos disso.
Guardei aquele adeus como quem aguarda um amanhã que não virá. Um amanhã ideal. Feito só para você e eu.
Naquele adeus, a certeza de que eu não mais amaria a ninguém como amei até àquela tarde.
No porto, o último aceno. O lenço branco do adeus a secar todas as lágrimas do meu rosto deformado em soluços.
A distância, para nós, conduzia a um destino em paralelas. Você tomaria a estrada em busca de sua vida, eu tomaria rumos que fariam de mim o desassossego de todo dia.
E aí, fiz de mim infernos. Fiz-me delírios e entreguei-me loucamente a qualquer paixão.
Foram contundentes aquelas últimas palavras. Foram doces. Aquelas eram palavras de adeus e eu disso sabia.
Você foi meu último porto: o meu único adeus.

Neuza Margarida Nunes
Natal/Brasil, 10 de abril de 2005