<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958</id><updated>2011-04-21T22:09:42.180-03:00</updated><title type='text'>TransBlog da Neuza</title><subtitle type='html'>Sou asas abertas ao vôo/
Caminhos a não serem seguidos/
Sou Deusa,/ Sou Neuza</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-113807073115472698</id><published>2006-01-24T00:28:00.000-02:00</published><updated>2006-01-24T00:45:31.166-02:00</updated><title type='text'>AS ÁGUAS VÃO ROLAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://imageshack.us"&gt;&lt;img src="http://img14.imageshack.us/img14/6066/anfreagurgeloperandosom3op.jpg" border="0" width="400" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;Daqui a outubro, muitas águas correrão à margem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#993300;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Deixaram sangrar. Sangraram.&lt;br /&gt;Não entenderam fábulas de ovos e serpentes.&lt;br /&gt;Eram cobras criadas do mesmo serpentário.&lt;br /&gt;Somos apenas pasto, nesta cadeia alimentar.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece existir uma certa condução deliberada para bipolarizar o debate, quando vivemos um momento no qual sabemos que não podemos acreditar em qualquer dos lados., ambos ‘encalacrados’ em verdades de práticas escabrosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprezam-se candidaturas como as de Heloísa Helena - ainda não posta; ou a de Roberto Freire, que nem aparece na consulta ibope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se ouvem as esquerdas do PT, muito menos o que diz o PSTU.   A imprensa podia reservar melhores espaços a opcionais.  Ping-pong cansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está mal pago na lambança toda é o povo, logo ele, que paga a lambança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar autofagia entre os dos executivos - Federal, estaduais - e dos legislativos, é uma ingenuidade sem tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eles se locupletam e disso vivem, o que esperar?  Que tucanos peçam o impedimento de Lula e petistas o de Serra ou Aécio ou Alckmin?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aterrador é a perspectiva de convivermos com isso por mais um ano, mais um mandato, talvez outros e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o modelo republicano que faliu ou somos nós, os homens e mulheres, que não temos jeito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-113807073115472698?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/113807073115472698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=113807073115472698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/113807073115472698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/113807073115472698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2006/01/as-guas-vo-rolar.html' title='&lt;b&gt;AS ÁGUAS VÃO ROLAR&lt;/B&gt;'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-112091860339917173</id><published>2005-07-09T11:12:00.000-03:00</published><updated>2005-07-09T11:18:57.373-03:00</updated><title type='text'>Do meu anjinho-da-guarda</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.imageshack.us"&gt;&lt;img alt="" src="http://img223.imageshack.us/img223/9169/pipa1web2ca.gif" width="400" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a refletir sobre mim mesma, aqui, em cima do meu lepitope que levo a todos os lugares. Me penalizava por tudo. Me martirizava. Foi quando meu anjinho-da-guarda chegou aos meus ouvidos, insistente:&lt;br /&gt;- Veja o momento brasileiro, o momento do mundo. Sua cidade, como está?&lt;br /&gt;Ele parecia querer uma resposta não para mim, mas para o momento que vivemos, todos vivemos. Uma resposta para a contemporaneidade.&lt;br /&gt;E me segredou uma pergunta:&lt;br /&gt;- Você sabe aquele seu amigo barbicha com cara de suicida da Al-Qaeda, mas que é do PT?&lt;br /&gt;E começou a dissertar.&lt;br /&gt;Eles são a chave para o entendimento de suas questões. São radicais. Fanatizados. Têm diferença porque um é partido político outro é organização terrorista de fato. Mas levam a Marx.&lt;br /&gt;Ele via a universalização do capitalismo. A concentração do capital. A degenerescência na ordem instituída. Via a falta de escrúpulos da sociedade, uma dor latente que nem dói mais. O crime. As organizações criminosas. Da guerra. Da droga. Do dinheiro. No mundo. No Brasil e aqui em Pipa.&lt;br /&gt;Por isso, fala-se na crise do capitalismo. Na crise mundial diante do terrorismo. Na crise do capitalismo visto de uma maneira instaurada em Pindorama. Mais especificamente, no governo de Pindorama.&lt;br /&gt;Um partido de bandeira vermelha. Uma estrela. Sonhos. Uma sociedade construída e em curso. Uma história carregada nos ombros. Uma vivência no país de gerson e jeffersons e um locuplete-se geral instalado na burocracia.&lt;br /&gt;Com Lula lá, o G-8 se instala na Escócia, enquanto bombas põem o mundo em pânico agora em Londres.&lt;br /&gt;O que quer Bim Laden? Qual o motivo da guerra de Bim Laden? Soberania dos Estados Islâmicos?&lt;br /&gt;A causa da crise chama-se dinheiro.&lt;br /&gt;Os impérios sobrevivem de colonizações. Os colonizados de hoje o são por um tal de Big Brother Orwellano. Aqueles cada vez mais concentrados em riqueza.&lt;br /&gt;Daí à nova escravidão. O Card.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-112091860339917173?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/112091860339917173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=112091860339917173' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/112091860339917173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/112091860339917173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/07/do-meu-anjinho-da-guarda.html' title='&lt;b&gt;Do meu anjinho-da-guarda&lt;/B&gt;'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-111317843432310666</id><published>2005-04-10T21:00:00.000-03:00</published><updated>2005-04-10T21:30:22.876-03:00</updated><title type='text'>Único adeus</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.imageshack.us"&gt;&lt;img alt="" src="http://img98.echo.cx/img98/2811/porto3lq.jpg" width="300" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;“aguardo a carícia das palavras&lt;br /&gt;que trocamos ao fim do dia”. Ângela Marques&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz tanto tempo. Nem sei se lembro. Sei que as palavras voltam e não mais me atormentam. Enlevam, apesar de últimas. E também não consigo esquecer aquele último olhar.&lt;br /&gt;Você partia para sempre. Para não mais voltar. E sabíamos disso.&lt;br /&gt;Guardei aquele adeus como quem aguarda um amanhã que não virá. Um amanhã ideal. Feito só para você e eu.&lt;br /&gt;Naquele adeus, a certeza de que eu não mais amaria a ninguém como amei até àquela tarde.&lt;br /&gt;No porto, o último aceno. O lenço branco do adeus a secar todas as lágrimas do meu rosto deformado em soluços.&lt;br /&gt;A distância, para nós, conduzia a um destino em paralelas. Você tomaria a estrada em busca de sua vida, eu tomaria rumos que fariam de mim o desassossego de todo dia.&lt;br /&gt;E aí, fiz de mim infernos. Fiz-me delírios e entreguei-me loucamente a qualquer paixão.&lt;br /&gt;Foram contundentes aquelas últimas palavras. Foram doces. Aquelas eram palavras de adeus e eu disso sabia.&lt;br /&gt;Você foi meu último porto: o meu único adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;Natal/Brasil, 10 de abril de 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-111317843432310666?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/111317843432310666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=111317843432310666' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111317843432310666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111317843432310666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/04/nico-adeus.html' title='Único adeus'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-111156461393325294</id><published>2005-03-23T04:50:00.000-03:00</published><updated>2005-03-23T04:56:53.933-03:00</updated><title type='text'>Tempo de bis?</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.imageshack.us"&gt;&lt;img src="http://img237.exs.cx/img237/66/cama1us.jpg" border="0" width="384" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Carmelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De todos os meus amores, um se mantém, sem fotos: só lembrança.&lt;br /&gt;Recordações de entregas devolutas, volutas de cubanos esperando a chama de outras abordagens, inéditas, sussurradas, marcadas pela surpresa imposta pela libido; sugeridas e feitas, sem palavras a dizer assim.&lt;br /&gt;Louco amor sem compromisso ou posse.&lt;br /&gt;Santo amor santo de homem de deus sem batina, sem ordem ou desordem: só desejo e gozo recíprocos, pároco de Thaiti e noviça, em transe; frêmito.&lt;br /&gt;Aquele jornal de tarde de poesia acendeu-me noites de juventude rebelde, desgarrada de igrejas.&lt;br /&gt;Naveguei bares de saudade; deitei camas levadas pelas traças úmidas de tanto amor.&lt;br /&gt;Frei confessor confessado: ficaste como parede de ruína que se mantém – a mais rígida, a mais forte; permanente num tempo que insistentemente se vai e esvai-se em mim, que não esqueço e emparedo.&lt;br /&gt;Tomamos rumos distintos. Nossos destinos não nos quiseram em tempos de provação. Reencontrei-me na escrita que deixaste branda como alô sem eco.&lt;br /&gt;Alô que reverbera em mim como a pedir tempo de bis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Pipa, 21 de Março de 2005, deitando sobre mim um jornal que me trouxe prazeres tidos como mortos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-111156461393325294?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/111156461393325294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=111156461393325294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111156461393325294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111156461393325294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/03/tempo-de-bis.html' title='Tempo de bis?'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-111156414766818119</id><published>2005-03-23T04:43:00.000-03:00</published><updated>2005-03-23T04:49:07.673-03:00</updated><title type='text'>Depois da enxurrada</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.imageshack.us"&gt;&lt;img src="http://img94.exs.cx/img94/1498/fernandatavares32tv.jpg" border="0" width="225" alt="Fernanda Tavares" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ora a luz ora a treva sem que avise-se. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Márcia Maia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais um dia de águas de março.&lt;br /&gt;A água da chuva escorre pela rua como se lavasse a cidade, levando impurezas e pecados.&lt;br /&gt;Pecados em mim incrustados sem culpa ou remorso: fiz da vida o que bem quis e por escolha. Talvez por escola: em quantas Marilyn fiz-me espelho? Morri no desastre que levou Leila?&lt;br /&gt;Ficaram os sutiãs queimados, os seios soltos, hoje caídos e a não mais despertar o desejo dos homens.&lt;br /&gt;Ficaram posturas que sedimentaram-se e mostraram um ser mulher capaz. Especialmente capaz da ousadia de ser sem sonhos. Estes fizeram-se práticas cotidianas, doces, amargas, mas práticas sedimentadas em vida.&lt;br /&gt;Hoje, não temo o vôo.&lt;br /&gt;Minhas filhas, largo-as ao mundo sem medo ou remorso. Sei, sobreviverão sem a condição do corpo; sem marcas de entregas involuntárias.&lt;br /&gt;A chuva que lava a alma da cidade leva a lama que não restou em meus escombros. Recolho de mim o passado medroso do futuro e me faço Amélia em fantasia para rir de um tempo de submissão ida: meus pecados, quero-os todos para mim.&lt;br /&gt;Essa chuva? Ela passa como passaram os dias da lavagem.&lt;br /&gt;Em mim, apenas ficou o cheiro da alfazema dos lençóis e a boca entreaberta para os amores que me farão nova como a velha calçada, agora limpa e pura, depois da enxurrada.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Pipa, 21 de Março de 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-111156414766818119?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/111156414766818119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=111156414766818119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111156414766818119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111156414766818119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/03/depois-da-enxurrada.html' title='Depois da enxurrada'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-111123648194482587</id><published>2005-03-19T09:44:00.000-03:00</published><updated>2005-03-19T09:48:01.946-03:00</updated><title type='text'>Molhada para o amor</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Vontade de mudar meu mundo, ser diferente. Me experimentar em outro corpo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ana Paula Cadengue&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.imageshack.us"&gt;&lt;img src="http://img222.exs.cx/img222/9411/molhada4bq.jpg" border="0" width="400" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todos os bares, a noite não me bastou.&lt;br /&gt;Nem a bebida, o fumo, as companhias, os homens.  Não que estivesse em TPM.  Não.&lt;br /&gt;Cansada de mim mesma, queria-me outra.  Nova.  Um novo corpo em mim.  Uma nova alma.&lt;br /&gt;Queria uma noite nova.  Talvez uma cama nova.  Um novo homem.&lt;br /&gt;Em mim, os dias têm passado cansados.  As horas são as mesmas.  A novidade?  No brejo da cruz.&lt;br /&gt;Queria escrever versos como minhas amigas.  Queria mudar meu próprio mundo, atônita, em desespero?  Queria explodir-me em bombas; experimentar gosto novo, noutra boca.&lt;br /&gt;Já em casa, no meu quarto, desejei a chuva de São José.  Queria despertar sentindo cheiro de terra molhada.  Queria-me molhada para esse novo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Pipa, 19 de Março de 2005, depois do conserto do lepitope. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-111123648194482587?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/111123648194482587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=111123648194482587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111123648194482587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/111123648194482587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/03/molhada-para-o-amor.html' title='Molhada para o amor'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110767338023616779</id><published>2005-02-06T04:58:00.000-02:00</published><updated>2005-02-06T05:03:00.236-02:00</updated><title type='text'>Centeio e sonho</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://img204.exs.cx/img204/8700/ottodix1921mirror9cd.jpg" width="400" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo seria outro se cada um conhecesse o seu espelho.  Se a ele mirasse sem as máscaras das manhãs, lavado o rosto de sonhos banhados em ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações decerto seriam outras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem não esconderia falsidades nem hipocrisias.  Não acataria as pedras atiradas aos pecados santos de quem pior nunca foi; não se deixaria dourar, pobre alma de latão, ali, diante de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado não virtual do espelho não se pergunta: que fiz de mim ou o que fui?  O que fiz, o que deixei? Não se indaga.  O essencial não importa, mas as mentiras refletidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu lado não virtual afoga-se em maquiagem perfeita de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca duvida: sou o cara.  Presa ao suporte, sua imagem ri da cena.  Abomina, mas aceita.  Como fugir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem as marcas dos anos modificam o cotidiano encardido que ficou.  Um dia a mais; a menos, nada modifica o transmutar das horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eu virtual tem limites.  O que está diante de si, talvez nunca: é a máscara do império quase sempre estampada; é o senhor de todos os atos humanos e sublimes a mirar-se diante do que nada vale.  Porque o que vale, o que é e será, é ele: o senhor das horas absolutas e sem pecados, puro, imaculado, a desdenhar da realidade em volta.  Dos amigos, das situações, até dos perigos que não chega a ver diante de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens de caras lavadas diante dos espelhos são deuses.  Perfeitos, não enxergam.  Só os mortais da vizinhança não sabem vê-los assim: esses não prestam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens diante do espelho navegam na ambigüidade de si mesmos. Não se sabem joio: sonham-se trigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais amassarão o pão do centeio consumido.  Consomem.  Consomem-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda se acham melhores do que os que derramam o suor gestor de sua vã egolatria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barro Vermelho, Natal/RN, 1 de fevereiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando o gás da maldade&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110767338023616779?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110767338023616779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110767338023616779' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110767338023616779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110767338023616779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/02/centeio-e-sonho.html' title='Centeio e sonho'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110718224202638559</id><published>2005-01-31T13:28:00.000-02:00</published><updated>2005-01-31T13:41:00.596-02:00</updated><title type='text'>Futuros expostos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#009900;"&gt;Futuros expostos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#009900;"&gt;Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos... &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariada, sem ânimo para bater pernas; sair, conversar com amigos.&lt;br /&gt;Janeiro está indo e, com ele, parece, um tempo de mim.&lt;br /&gt;Se não pude ser entendida, fiz de mim instrumento de muitos quereres, desejos adormecidos, latentes, prontos para despertar.&lt;br /&gt;Sou assim, sempre fui assim: inconformada com disposições imutáveis. Sou transitória e tenho ciência desta condição. Sou povo insatisfeito: faço greve e piquete, bato panelas; chuto a barraca.&lt;br /&gt;Maquiagem, aceito para minhas rugas; jamais para situações de vivências impostas.&lt;br /&gt;Sou viva; sou morta. Não calo diante do que não aceito. Reajo: não quero saber se agrado.&lt;br /&gt;Amanhã, estarei melhor. Batem a angústia, a tristeza; baixo astral diante de incompreensões, injustiças, mas segue à risca a lida em busca de um novo dia.&lt;br /&gt;No jardim, rego a roseira que me trará o perfume orvalhado da umidade em mim feita longa estiagem. Não sou nascente de ressentimentos; sou, sim, a que prepara a semente para tornar-se semente de muitas sementes. Cultivo dádivas e pela vida me dei. Não me importei para os meus olhos levados; minha carne surrada; minha alma torturada. Lutei contra todos os vilipêndios: se fui derrotada em parte, houve casos onde ganhei.&lt;br /&gt;Abro meu peito à ternura: ouço cânticos, vejo futuros expostos diante de mim.&lt;br /&gt;Sei onde me achar; sei onde levo meus pés.&lt;br /&gt;Ali, lavá-los-ei das feridas e seguirei adiante: é meu o caminho que eu mesma inventei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;31 de janeiro de 2005&lt;br /&gt;Feliz, porque sei fazer-me feliz.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110718224202638559?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110718224202638559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110718224202638559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110718224202638559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110718224202638559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/futuros-expostos.html' title='Futuros expostos'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110684888339158870</id><published>2005-01-27T15:54:00.000-02:00</published><updated>2005-01-27T16:01:23.393-02:00</updated><title type='text'>Perfume de máscaras de outrora</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Perfume de máscaras de outrora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;“No carnaval viveremos o eternamente.”  &lt;span style="color:#6666cc;"&gt;Simone Sodré&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro portas de guarda-roupas antigos e encontro baús de serpentinas adormecidas.  Num deles, o casco vazio de uma rodoro do começo dos anos sessenta.  Nem sei porque o guardo.  A memória falha e, no entanto, pressinto referências vivas.  A fantasia de colombina dos meus treze anos está meio carcomida pelo tempo de traças vorazes dos tempos que vieram depois, quando somei desencantos.&lt;br /&gt;A bailarina dos meus dezenove...  A sapatilha branca, as rendas de verde suave, a decorar as ilusões da idade.  Sonhei palcos glamorosos e me tornei celebridade em dias de fantasia.  Meu Clark Gable, nunca voltou.&lt;br /&gt;Ali, no fundo, a gueixa dos vinte e três me leva a salões cariocas, quando o desvario me levou a tendas de mandarins. &lt;br /&gt;Nipônica sem pudor, a exibir seios fartos de irresponsabilidades num trânsito que se fez estático diante do mar de Copacabana, fiz-me sereia sem vestes para encantar Netuno.&lt;br /&gt;O carnaval sempre esteve bem dentro de mim.&lt;br /&gt;Pelas ladeiras de Olinda, atrás dos trios de Salvador, jamais me permiti retiros, isolamentos em praias tranqüilas: fui sempre afoita diante dos primeiros clarins.  O Zé Pereira sempre me tomou a mão oferecida, para  me atirar à folia e só largá-la na quarta ingrata de saudades eternas.&lt;br /&gt;Tantos carnavais nesse baú de saudades!  Máscaras, chapéus, luvas, paetês.  Quanta fantasia acumulei!&lt;br /&gt;Sempre com a festa acabada, voltava eu a vestir velhas ilusões diárias. &lt;br /&gt;Foi sempre assim: as interpretações em vida não me deixaram ser quem eu fui, só personagem de mim quando só, sobre travesseiros de avaliações jamais profanadas.&lt;br /&gt;No reino de momo o perfume antigo da lança me perpassa; atravessa meu peito despido de fantasias hipócritas, esquentando meu sangue a renovar-se em pulmões aliciados: no carnaval, vivemos eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;27 de janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Segurando junto ao rosto um lenço antigo, carregado de muitas lembranças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110684888339158870?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110684888339158870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110684888339158870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110684888339158870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110684888339158870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/perfume-de-mscaras-de-outrora.html' title='Perfume de máscaras de outrora'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110674744041839952</id><published>2005-01-26T11:47:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T11:50:40.416-02:00</updated><title type='text'>A debandada dos miasmas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;A debandada dos miasmas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tomo a pulso o direito a mim outrora negado. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#6666cc;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Meire Gomes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Levastes de mim apenas dias perdidos. Esses, esqueci-os em gavetas emperradas por ferrugem sedimentada. Coloquei-os em fornalhas de infernos consumidos. Não os quero nem por lembrança.&lt;br /&gt;Refeita, respiro ares que não me trazem saudades. Sou nova em novas vestes. Sou outra.&lt;br /&gt;Liberta por decisão minha e unânime de mim, sou acalanto suave sussurrado entre brumas fecundadas. Aspiro auroras a toda hora e as tenho comigo a todo instante. Estou eu. Em mim me fiz por condução da carne.&lt;br /&gt;Entre o ser e o permanecer, busquei a distância e o amanhecer de mim. Fiz-me eu: aprendi que montanhas se desfazem ao vento.&lt;br /&gt;Rezei por ti e pedi por mim. Lavei promessas em caldos santos.&lt;br /&gt;Entre dedos fechados, fiz do meu pulso impulso: a liberdade nunca chega se não chamada.&lt;br /&gt;Adentro rios inexplorados. Descubro horizontes onde a vista se perdeu. Ajo ao sabor de interiores meus: sou fado; sou tango a não mais soluçar travas de cotidianos perdidos: fiz-me eu.&lt;br /&gt;O que outrora me foi negado, nem preciso como lembrança: as asas da memória pulam muros e me encontram em tempos repletos de rebeldia, quando o ser ousava serventias para si, ainda semente em busca de água.&lt;br /&gt;Estou em mim, de volta. Dou voltas aceleradas aos passados que me fizeram morta e não os vejo: naufragaram na superfície ácida que o instante dissolveu.&lt;br /&gt;A mim, hoje, tudo é possível. Visto-me artesã e moldo sandálias andarilhas. Jogo serpentinas ao mar e confetes ao reencontro comigo mesma. Fantasio futuros próximos e distantes; busco tintas amarelas para os dias saciados de azuis.&lt;br /&gt;Sim: digiro fantasias.&lt;br /&gt;Agora, como eu, não me acompanham planos de alforria: os miasmas em volta partiram em pânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;26 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Contemplando crustáceos à beira do mangue&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110674744041839952?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110674744041839952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110674744041839952' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110674744041839952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110674744041839952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/debandada-dos-miasmas.html' title='A debandada dos miasmas'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110674117024326820</id><published>2005-01-26T10:03:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T13:16:04.233-02:00</updated><title type='text'>À margem, como epígrafe</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;À margem, como epígrafe&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Além da névoa e da noite, o que existe? &lt;span style="color:#6666cc;"&gt;Marize Castro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, sem saber-me eu.&lt;br /&gt;Decifrada em sementes, antegozo o fruto maduro ante a iminência da queda. Aqui recorro aos meus delírios. Repouso em minhas fugas.&lt;br /&gt;Apago luzes, bato a porta, saio. Acendo faróis sem rumo. “Além da névoa e da noite, o que existe?” Indagava a poesia deixada na cama, como se a exigir resposta quando da volta.&lt;br /&gt;Serpenteio a cidade em busca do que fazer. Entro num shopping; aprecio vitrines que refletem desejos. O cartaz do cinema me atrai para uma fila de ingressos. Encontro uma amiga de outrora e tomamos rumo da praça de alimentação. Pedimos cerveja e logo estamos a gargalhar lembranças de tempos irrequietos, quando o futuro era vaga referência abstrata e distante.&lt;br /&gt;Procuramos saber razões das marcas deixadas em nossas faces. São tantos os labirintos que mentimos a nós mesmas, escondendo passados de vivências desprezadas.&lt;br /&gt;É forte o desejo da dança. Partimos, então, em direção ao abismo. Seremos serenos em busca de orvalhos. Seremos madrugadas.&lt;br /&gt;Como chove fininho e o tempo esfriou, ela se deixa levar ao primeiro pedido.&lt;br /&gt;Fico só em meus devaneios interpretes de canções. Descubro que a alma é imensa e grande é a sensibilidade de quem se deixa seduzir por palavras grafadas em sentimentos.&lt;br /&gt;Isso fica.&lt;br /&gt;Fico eu também, porém a descartar segundas intenções. Os sons hoje são mais agradáveis que as estripulias da noite. Prefiro pensar. Estar comigo mesma para tentar desvendar estradas percorridas em velocidades alucinadas.&lt;br /&gt;Que fiz eu da vida? Sobrou-me a lágrima sobre a mesa tinta do vinho consumido.&lt;br /&gt;Raiou o dia e eu não me dei conta de mim. Lembro a leitura deixada na cama e o verso que me ficou como epígrafe: todo rio tem sua margem.&lt;br /&gt;Talvez seja eu, a margem não alcançada da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pedra do Rosário, Natal/RN, 26 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Voltando à poesia de Marize Castro &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110674117024326820?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110674117024326820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110674117024326820' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110674117024326820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110674117024326820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/margem-como-epgrafe.html' title='À margem, como epígrafe'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110667304775338906</id><published>2005-01-25T15:05:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T08:36:28.293-02:00</updated><title type='text'>Hora do encontro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Hora do encontro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Só no tempo há espaço para mim". &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui efêmera em todos os meus amores. Fui volúvel. Só a mim, amei de verdade.&lt;br /&gt;E fui sincera.&lt;br /&gt;Aos homens, jamais menti: não foi preciso. Todos me chegaram como quem doma em picadeiro; como quem ergue pirâmides em desertos de gelo.&lt;br /&gt;Mentir, talvez tenha mentido a mim mesma, quando aceitei o ouro da gargantilha esculpida em esmeraldas; quando me fiz seduzida em troca de um cruzeiro no meu Mediterrâneo de prazeres.&lt;br /&gt;Quão bobos são os homens! Julgam-se poderosos, invencíveis, contagiantes.&lt;br /&gt;Ousam pensar na manhã seguinte; no negócio fechado; no planejamento perfeito para conquistas definitivas de uma única noite.&lt;br /&gt;Não lêem em entrelinhas; não sabem das horas; não percebem brisas vindas do mar.&lt;br /&gt;Jamais saberão os segredos das lingeries soltas pelo corpo, folgadas enquanto pedem carícias; a maciez da alfazema nos lençóis.&lt;br /&gt;A minha alma de mulher fez-me pedra envolta a aço de sólida carapaça: a tudo me permiti, enquanto só aos prazeres me entreguei. Prazeres do vinho, absinto de perigos tentaculares.&lt;br /&gt;Vesti-me de mistérios, descalcei-me de vergonhas. Não me fiz lágrima ou ferida exposta. Não usei máscaras de pudores profanados.&lt;br /&gt;Em mim, tudo permiti. Nada me reteve. Nunca soube olhar pra trás.&lt;br /&gt;Senhor de mim, só os segundos me devoravam, me consumiam, e eu não dava bola para horas.&lt;br /&gt;Quando acordei, já era noite. E era cidade, tão grande e habitada, que só nesse instante me encontrei: cada segundo foi um naco de mim.&lt;br /&gt;Neles, fiz-me festa e encenei gêneros diversos. Fiz-me truta sem ser sereia.&lt;br /&gt;Cada segundo foi senhor de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Centro de Artesanato, Praia dos Artistas, Natal/RN, 25 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Feliz com meu novo chapéu de fibras de sisal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110667304775338906?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110667304775338906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110667304775338906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110667304775338906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110667304775338906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/hora-do-encontro.html' title='Hora do encontro'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110665426297159890</id><published>2005-01-25T09:52:00.000-02:00</published><updated>2005-01-25T09:57:42.970-02:00</updated><title type='text'>Um pouco de noite</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Um pouco de noite&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Da noite resta um pedaço.  &lt;span style="color:#6633ff;"&gt;Márcia Maia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ainda é madrugada na sacada salobra sobre curvas do Potengi.&lt;br /&gt;A lua, ali, dá-me adeus, prometendo voltar inteira quando, noitinha, o sol se for.  Inda me resta um pedaço pouco de uma noite que não se foi inteira. Levo-me aos espelhos, onde me fecho em pedaços, tetradona de virtualidades somadas em sonhos que fiz de mim.&lt;br /&gt;Neles, sei esconder meus pecados, meus descaminhos. &lt;br /&gt;Os anos passaram-se e ainda sou a mesma, só eles mudaram.  Os frascos de essências me acompanharam; mantêm a aparência polida de outrora, embora tragam novas fragrâncias.&lt;br /&gt;No cristal das rosas, mantenho vivo o galho seco de anos de espera, depois de pétalas caídas; folhas lavadas por esperas de todo dia.&lt;br /&gt;Depois que partistes, um adeus sem resposta postou-se à porta do meu quarto frio.  Eu sabia que seria para sempre.&lt;br /&gt;Levastes contigo a minha sede de entregas felizes; deixastes o travo que em mim fez-se silêncios, solidão.&lt;br /&gt;Resta-me, no entanto, um pouco de noite.  E num pouco de noite, ainda é possível sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Barro Vermelho, Natal/RN, 25 de Janeiro de 2005&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Ainda saudosa de ti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110665426297159890?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110665426297159890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110665426297159890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110665426297159890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110665426297159890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/um-pouco-de-noite.html' title='Um pouco de noite'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110664584082301828</id><published>2005-01-25T07:31:00.000-02:00</published><updated>2005-01-25T07:37:20.823-02:00</updated><title type='text'>A cal que me guardas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;A cal que me guardas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#6666cc;"&gt;Meus pensamentos já não cabem nas teias da razão.&lt;/span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Antoniel Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Armarei ciladas na noite de hoje.  É pré-carnaval e na Ribeira uma banda toca.  Ensaia, como se fora para aprisionar almas; como se fora para propor infernos.&lt;br /&gt;Preparo meu corpo para uma noite suja de intenções. &lt;br /&gt;Não me comparo a nada: despi de qualquer razão os meus atos.  Já não sou afeto: sou carne.&lt;br /&gt;Ardem em mim, consentimentos de ontem, quando fui menina e muitas vezes presa; alimento de luxúrias que não ficaram em mim.  Nem em quem de mim fez pasto.&lt;br /&gt;Hoje sou quem tarrafeio.  Conheço os cardumes em busca de alimento; faço pescarias com anzóis de encantos mágicos perfumados.&lt;br /&gt;Se hão de censurar-me, censuro-os eu na liberdade que proponho. &lt;br /&gt;Lagos não me satisfazem.   Apesar da imensidade, oceanos também repousam em limites: quero a ousadia da água que corre; a ousadia do obstáculo proposto. &lt;br /&gt;Vencê-lo-ei sempre, sou rio: barragens não aplacam a minha fúria.  Por isso previnem-se em comportas.&lt;br /&gt;Estou ladeira abaixo e trilhos não sigo: tenho o peso dos comboios de minha idade.  Nada me freia nem me conduz.  Nem mais sou condutora de mim: sou deriva; Titanic a buscar icebergs.&lt;br /&gt;Se estou louca, não sei.  Não me importa a razão.&lt;br /&gt;Não me quero fardo nem arrumo trouxas para viagens frugais: a roupa que visto basta-me como mortalha.&lt;br /&gt;Não quero fantasia. Só me proponho ser coveira num carnaval de entregas: enquanto.&lt;br /&gt;Do pó da cal que me guardas, quero apenas o sal que uso de tua carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Barro Vermelho, Natal/RN, 25 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Com medo de mim mesma&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110664584082301828?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110664584082301828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110664584082301828' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110664584082301828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110664584082301828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/cal-que-me-guardas.html' title='A cal que me guardas'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110656463789529650</id><published>2005-01-24T08:59:00.000-02:00</published><updated>2005-03-23T06:34:55.243-03:00</updated><title type='text'>Tal vez mañana</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://www.imageshack.us"&gt;&lt;img src="http://img93.exs.cx/img93/5384/velasquezconsuelo0ak.jpg" border="0" width="250" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quiero sentirte muy cerca, mirarme en tus ojos, verte junto a mí.&lt;br /&gt;Piensa que tal vez mañana yo estaré lejos, muy lejos de ti. &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Consuelo Velázquez&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Amanheci triste com a notícia de falecimento de Consuelo Velásquez.&lt;br /&gt;Quantas vezes, em minha infância, não fui acordada, minha mãe, na cozinha, preparando o café da manhã, cantando &lt;em&gt;Bésame mucho&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;A tristeza daquela melodia, a melancolia de suas notas musicais, penetravam em minha alma, deixavam-me melancólica, mesmo não sabendo bem o que as palavras diziam.&lt;br /&gt;Era como se fora uma canção feminina, só dela, de minha mãe. Uma música de outro tempo, cantada com ternura e cheia de saudade.&lt;br /&gt;Consuelo passou pela vida quase anonimamente, como a maioria das mulheres. Enquanto esteve conosco, seus versos e sua melodia espalharam-se pelo mundo, venceram gerações cativadas pela sensibilidade musical e de alma que encerravam. Mas, quem conhecia Consuelo Velásquez? Quem sabia sua história de vida? Onde vivia. Como vivia.&lt;br /&gt;Uma anônima fora das rodas bem conhecedoras da música mexicana; uma celebridade universal traduzida em vários idiomas; cantada em dezenas de países.&lt;br /&gt;Uma mulher dedicada ao estudo e execução de música clássica, como poucas do seu tempo, devota da família, a cuidar de marido e filhos.&lt;br /&gt;Um nome que será mais conhecido após a morte do que nos tempos em que sua canção consagrada tornou-se marca de latinidade, por ela e com ela difundida com tanta e rara sensibilidade.&lt;br /&gt;Uma mulher longe das luzes que buscam celebridades; célebre no seu espaço anonimamente conquistado pela pureza de versos que encheram de lágrimas um tempo que não a procurou conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#6600cc;"&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Barra de Tabatinga, 24 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#6666cc;"&gt;Solfejando uma antiga canção que me leva à infância&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110656463789529650?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110656463789529650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110656463789529650' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110656463789529650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110656463789529650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/tal-vez-maana.html' title='Tal vez mañana'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110646602071574274</id><published>2005-01-23T05:37:00.000-02:00</published><updated>2005-01-23T05:41:31.943-02:00</updated><title type='text'>Sem Projeções de mim</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;color:#6600cc;"&gt;Sem projeções de mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deixe pois que se guardem as lembranças.” Márcia Maia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vou ver amigos, amigas, novos e dos tempos que a memória cativa, insiste em preservar. Vou fazer visitas, beber um pouco, armazenar confissões sobre novos segredos.&lt;br /&gt;Não vou querer conversas sobre cabelo, marido, cozinha. Evitarei notícias de jornais. Assuntos de trabalho, esses também não os quero para hoje. Dispensar trocadilhos, afastar-me dos piadistas, vou.&lt;br /&gt;Vou querer cultivar mistérios.&lt;br /&gt;Vou procurar encanto onde nunca vi; beleza, em tudo que antes não percebi; sensibilidade no duro coração dos profissionais repetitivos, mecânicos. Vou buscar umidade em leitos mortos; cintilância, em cavernas de almas remoídas; tempero na mesmice dos chatos e inoportunos.&lt;br /&gt;E não vou procurar lembranças. Pelo menos, hoje.&lt;br /&gt;Vou para alto-mar, pescar futuros; arrumar malas para nova travessia.&lt;br /&gt;Quero cometas ao anoitecer; uma vela que me colha ventos cariciosos; uma âncora que não me deixe desgarrada, à deriva.&lt;br /&gt;Vou em busca de um dia que não sei, sem os sonhos de ontem. Sem sequer desejos. Sem memória ou projeções de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;Barra de Tabatinga, 22 de janeiro de 2005&lt;br /&gt;Mal dormida, depois de noite de axé music dos amigos vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110646602071574274?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110646602071574274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110646602071574274' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110646602071574274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110646602071574274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/sem-projees-de-mim.html' title='Sem Projeções de mim'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110645680885031517</id><published>2005-01-23T03:04:00.000-02:00</published><updated>2005-01-23T03:18:42.240-02:00</updated><title type='text'>Universos? Melhor não fechá-los</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Universos? Melhor não fechá-los&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#990000;"&gt;A verdade sempre é sem graça.&lt;br /&gt;Por isso é que os políticos se elegem...&lt;br /&gt;Clotilde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu tempo de estudante universitária, passei por uma cadeira que se chamava Metodologia da Ciência. A maioria da turma achava-a chata e nela não via muita utilidade. Eu não via assim. Gostava mesmo da disciplina.&lt;br /&gt;Já havia até me esquecido destes bons tempos de academia, quando me deparei com o raciocínio que escolhi epígrafe para este texto de poucos leitores e escrito para mim mesma, feito página de meu diário.&lt;br /&gt;E fui estudar a assertiva: a verdade sempre é sem graça. Essa palavra “sempre” é uma desgraça, dá idéia de infinitude, de coisa eterna, e até se há eternidade no universo, hoje há quem duvide. Ora, se até a eternidade hoje é coisa relativa, por que usar essa palavra fechada em si? Lembro um exemplo de um dos meus professores, que de tudo duvidava. Era um mestre, ele, Pastorino Torres, professor de Latim, e talvez por isso, sobre tudo discorria. Lembro uma vez que ele tocou nesse assunto “sempre” e citou um exemplo: o pão sempre é feito de trigo. E ele dizia: para que a frase fique melhor, exclua a palavra maldita. Diga, o pão é feito de trigo. Pronto, ninguém vai aparecer para dizer que você está errado/a, já que pão pode ser feito com outros materiais. E citou exemplos e exemplos acerca do uso do “nunca” e do “sempre”, palavras para ele perigosas. Dessa água, jamais beberei. O céu é sempre azul. Assertivas que podem cair por terra a qualquer hora, ou mudar de coloração de acordo com as estações.&lt;br /&gt;“Por isso é que os políticos se elegem”. Ora, políticos não se elegem porque a verdade é sem graça. Eles se elegem porque recebem votos da população. Se esses votos são comprados e isso torna a política menos interessante, é outro departamento. Mas será que todo (outra palavra fatal) político compra voto? Mesmo que não compre, ou que compre, será obrigatoriamente sem graça o seu mandato? Será que jamais haverá um político eleito sem a compra de voto e que fará do seu mandato um exemplo de criatividade e consonância com tudo o que o seu eleitor desejou? Difícil pode ser, mas impossível (mais uma palavra fatal e fechada), não.&lt;br /&gt;Assim, amigo/a leitor/a, estimulo o desuso dessas palavras fatais, aconselhando “quase sempre”, “quase nunca”, “talvez impossível”, e por aí vai.&lt;br /&gt;Fechar universos, quase sempre é perigoso para o jogo da verdade e da lógica. Quase sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barra de Tabatinga, 21 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;Ainda sem saber qual a estória verdadeira de um tal Deuzinho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110645680885031517?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110645680885031517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110645680885031517' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110645680885031517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110645680885031517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/universos-melhor-no-fech-los.html' title='Universos? Melhor não fechá-los'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10337958.post-110645746633299339</id><published>2005-01-23T02:53:00.000-02:00</published><updated>2005-03-23T05:14:16.960-03:00</updated><title type='text'>Cotidiano</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;Sonhos acorrentados a uma alma liberta. Liberta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheci sem o canto do galo, sem a poesia de Márcia. Talvez o cansaço do domingo de sol. Talvez uma Lemúria de sonhos submersos em férias de verão de mar e azuis.&lt;br /&gt;A roupa que preparo para o dia? Uma canga, um chapéu, meu biquíni escarlate, um lenço de seda amarelo, a sandália de borracha comprada no hiper da esquina, conhecida bodega de dona Rita. Ela que, viúva, há anos não vê o mar e tem os filhos criados e doutores, mas que não se deixa, domingo a domingo, sair do balcão de todas as suas horas. Ela, que nem mais precisar precisa, ali, qual escrava de si mesma, acorrentada a fantasmas de outrora, quando se julgava feliz. Será ela menos feliz que eu, em meus devaneios de conquistas e poder? Para ela, bastam as lembranças de Antônio, o sussurro do fantasma em seus ouvidos. A ela, os mesmos afazeres satisfazem, e sexo é coisa que não a preocupa. Ainda é nova, dona Rita, velha é a viuvez que fê-la deixar a máquina de costura e assumir o comércio do jovem Antônio, morto a bala, em assalto, quando ainda tinha filhos a criar. O assunto, porém, não cabe a essas horas, quando cultivo azuis e espero o adiantar do relógio, descasco o abacaxi para o suco e preparo a goma da tapioca. Mais tarde, estarei num porto tranqüilo, num mar de calmarias aparentes, a dourar minha alma para o delírio da noite. Os sonhos libertos de minha alma trarão a mim a felicidade que existe, resignada e nobre, inamovível, no pequeno e gasto balcão que é toda a vida de dona Rita?&lt;br /&gt;Melhores os dias em que o galo canta, e a poesia chega de manhã, com acordes de bentivis.&lt;br /&gt;Natal, 17 de janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#6633ff;"&gt;Cardápio de desejos em domingo de veraneio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para o meu amigo Oswaldo Ribeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo de janeiro em festa na costa do Nordeste. Gente por todos os lugares, colorindo praias, engarrafando estradas com seus automóveis em vai-e-vem. Eu? Eu, esperando a mim mesma ou esperando de mim uma decisão. Que fazer? Talvez a releitura de um livro antigo; talvez o mar, mais tarde um filme em cinema de shopping; praça de alimentação.&lt;br /&gt;Dia para comer e beber, jogar a dieta fora e ganhar os quilinhos que não quero, a forçar-me torturas nos dias que virão. Como vou resistir às delícias doces expostas nas vitrines, nos cardápios, nas páginas dos meus desejos?&lt;br /&gt;Hoje, fujo da cerveja que me delicia. Busco alternativas em outros copos e gostos, em outras doses, mas continuo me lançando a mar aberto. Como. Bebo a me perder de mim. Sei que já não mais sou musa de desejos, modelo escultural, provocativo, a seduzir olhos de desejos fúteis. Isso também já não me interessa, contabilizo rugas, são extensas as listas de compras de cosméticos, cremes a me embranquecer as faces em noites de sonhos de juventude.&lt;br /&gt;Mas hoje é domingo e tudo que quero é sair por aí, ver gente, reverenciar o sol, deixar-me banhar pela imensidão de horizontes salgados, catar conchas, recolher sargaços, conversar bobagens a beira-mar.&lt;br /&gt;Redinha Velha, 16 de Janeiro de 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;Não sei para onde vou&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sinto-me como se estivesse naquela navezinha que pousou em Titã, buscando respostas para minha gênese.&lt;br /&gt;Hoje, faço da memória curva em 160 graus e tomo o caminho de &lt;span style="color:#000000;"&gt;volta. Será que &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.if.ufrj.br/teaching/astron/help.html#huygens"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Huygens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;, em&lt;/span&gt; 1655, ao vislumbrar pela primeira vez o satélite de Saturno, quando voar o homem ainda nem podia, imaginaria que em 2005 o homem colocaria ali equipamentos de estudos para melhor sondá-lo?&lt;br /&gt;Hoje, a sonda está lá, como monumento dos habitantes do planeta Terra, a buscar respostas para o começo, senão do universo, do nosso minúsculo, e insignificante para o cosmos, sistema solar. Eu, que vim da célula e hoje sou milhões delas, quero voltar a minha gênese para saber quem sou. Filha de uma explosão me sei, porque filha do sexo e do gozo. Quantos caminhos percorri para me fazer em superfície titânica? Quanta distância galguei em sonhos até obter respostas mínimas acerca de mim? Talvez, melhor seria mudar de rota, pegar tangentes, conduzir lemes para espirais. Que história tenho a contar ou deixar? Tudo passará, como o sol que cruza horizontes em movimento que não é seu. Sinto-me como esse movimento ilusório, sem saber-me senhora do meu destino, sabendo-me cavalgadura em rédeas de semi-deuses. Busco o sol e me satisfaz a lua, com sua luz branda e suave a acariciar o mar sereno. Busco satélites e os homens chegam-se a mim planetários, ignorantes de que sou super nova ou buraco negro a degluti-los em fúria farta de lascívia, não sendo Hera, mas Afrodite.&lt;br /&gt;Não me quero senhora, não me permito senhores. Apenas não vou contra forças do universo, reconhecendo imposições de gravitações que se fazem leis. Sempre haverá uma pergunta diante de mim, um horizonte que se afasta do meu galeão pirata sem rota ou timão. Mesmo diante dessa consciência, procuro saber, busco, perquiro, quero voltar e ir além, mesmo sabendo que não sei para onde vou.&lt;br /&gt;Neuza Margarida Nunes&lt;br /&gt;Natal/RN, 15 de Janeiro de 2005 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10337958-110645746633299339?l=neuzinhadatransflor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/feeds/110645746633299339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10337958&amp;postID=110645746633299339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110645746633299339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10337958/posts/default/110645746633299339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://neuzinhadatransflor.blogspot.com/2005/01/cotidiano.html' title='Cotidiano'/><author><name>Neuzinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15834667710490907931</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
